Operação MIKADO - Base Aérea de Rio Grande, Argentina - 1982


Às 05:00 da manhã, 21 de Maio de 1982, sete semanas após o início do conflito nas Falklands, o Sargento Mário Vargas, um jovem operador de radar argentino servindo na Base Aeronaval Almirante Quijada, na Ilha Grande da Terra do Fogo (no extremo meridional do continente sul-americano), estava ansioso por sua cama. Lá fora, uma chuva insistente caia sobre as desertas pistas de pouso. Um sinal aparece do nada na tela do radar, a 40 km de distância, chegando rápido e baixo. O operador chama seu oficial de serviço, mas o sinal já desapareceu.

Um Hercules C-130 da RAF decola da base a base aérea de Wideawake na Ilha de Ascensão durante a Guerra das Falklands. Observe ao fundo dois bombardeiros Vulcan, caças Phantoms e um Nimrod.

No Atlântico Sul, dois transportes C-130K Hercules do 47 Squadron da Royal Air Force com matrículas XV200 e XV196 e pintados com as cores da Força Aérea Argentina (FAA) realizavam um duro vôo durante a noite. Afetados por fortes ventos contrários, eles deslizavam sobre as ondas a apenas 15 metros acima delas tentando evitar a detecção pelos radares inimigos. Os co-pilotos espiavam através dos rudimentares óculos de visão noturna, guiando os pilotos em direção à costa argentina. Um lapso, um erro, seria suficiente para causar um fatal desastre. Os óculos de visão noturna estão em sua infância, e esses dispositivos são um presente secreto dos americanos. A tensão aumenta à medida que o desembarque sobre a base aérea argentina se aproxima, o que será a conclusão de um longo voo desde a base aérea de Wideawake na Ilha de Ascensão. Até a Patagônia os C-130K realizariam um vôo de cerca de 10 horas num voo de 11.700 km. Por isso eles estavam equipados com sondas de reabastecimento e realizariam operações REVO com dez aviões Vickers VC-10 que reabasteceriam a si mesmos e aos dois Hércules, umas quinze vezes.

Lockheed C1 - C1P - C3 Hercules britânico.

HERCULES C-130 Argentino  

Em cima um C-130 da Real Força Aérea britânica e abaixo dele um C-130 Hércules da Força Aérea Argentina.

Segundo algumas fontes os pilotos ingleses falariam em espanhol com maneirismos argentinos nas fases finais de aproximação da pista. Os aviões britânicos seguiriam as mesmas rotas de aproximação e aterrizagem dos aviões argentinos. Como apoio na fase final de aproximação foi planejado o uso de um pequeno radiofarol guiado por satélite com VHF, que estaria localizado em um local deserto no Estreito de Magalhães. Mas esse equipamento acabou não sendo instalado.

Atrás das tripulações, nos porões cavernosos dos Hércules, divididos entre as duas aeronaves, estavam 55 homens do Esquadrão B do 22 SAS ("Special Air Service"), que tentavam suportar essa jornada turbulenta. Alguns dormiam, por incrível que pareça, outros jogavam conversa fora ou contavam piadas, e alguns simplesmente ficavam em silêncio.

Entre esses estava o Major Ian Crooke, que recentemente havia assumido o comando do Esquadrão B, no lugar do Major John Moss. Na verdade, as objeções de Moss contra essa missão, que ele não via com bons olhos, lhe rendeu uma demissão sumária. De la Billière, Diretor do SAS na época, em sua autobiografia, declara: “Fiquei consternado ao descobrir que a atitude dessa unidade (Esquadrão B) permaneceu morna. Descobri que o problema estava no comandante do Esquadrão, que não acreditava na operação proposta. De la Billière achou que com o Major Crooke, um comandante mais entusiasmado, o Esquadrão B poderia ser enviado para a Ilha de Ascensão e depois em direção a Rio Grande.

Mas Crooke estava pensativo na barriga do Hércules, pois não só Moss, mas outros homens do SAS também protestaram contra essa operação, muitos a consideravam suicida. E talvez fosse. Essa era uma missão praticamente só de ida, as melhores opções era ser preso ou tentar escapar desesperadamente para o Chile. O pior resultado era óbvio demais.

A rota de aproximação dos Hercules C-130K da RAF

A Base Aeronaval Almirante Quijada, na Ilha Grande da Terra do Fogo, estava protegida pela Brigada de Infantería de Marina Nº 1, que era formada pelas seguintes unidades: os batalhões de fuzileiros navais BIM 1 eBIM 2, um Batalhão de Artilharia de Campanha, um Batalhão de Comandos, um Batalhão de Serviço, um Cia de Exploração Blindada, reforçada com parte do Batalhão de Veículos Anfíbios e reforços dos Engenheiros de Combate.

Com o fracasso da Operação Plumb Duff, que era uma missão de reconhecimento para a Mikado, devido a queda do helicóptero Sea King ZA290 em território chileno, NCOs seniores do SAS sugeriram que o elemento surpresa foi perdido: O Sargento Bake V. decidiu que a única maneira de expressar seu ponto de vista era renunciar e adicionar peso ao seu argumento, como vimos o antigo comandante do Esquadrão o Major Moss também disse que a operação não era viável e essa opinião que lhe custou seu comando.

General De la Billière, Diretor do SAS na época da Operação Mikado

Treinamento
O treinamento das tripulações e da força de assalto foi intenso, envolvendo ataques noturnos simulados contra bases da RAF, desde Kinloss, na Escócia, até Binbrook, em Lincolnshire. O livro de regras sobre segurança de vôos noturnos foi rasgado quando os Hércules C-130K rugiram baixo sobre a Grã-Bretanha, onde muitas pessoas foram acordadas na calada da noite por aeronaves em alta velocidade e voando muito baixa tentando evitar a detecção dos radares terrestres e passando a apenas alguns metros acima do telhado das casas.

A péssima notícia para os planejadores desta operação é que constatou-se que muitos dos operadores de radar nas várias bases da RAF detectaram as aeronaves muito tempo antes delas estarem próximas as bases aéreas, e isto era um grande problema para quem tentaria em poucas semanas pousar secretamente na grande Base Aeronaval em Rio Grande na Terra do Fogo, evitando assim a retaliação antiaérea dos argentinos.

Operador do SAS nas Falklands, armado com um Colt Commando.  

Operador do 22 SAS nas Falklands em 1982. Sua arma é uma Colt "Commando" XM177E1 de 5.56mm, que é uma versão curta do M16. Ele um cinto padrão britânico modelo 1958, com alça, carregando dois cantis, kit de primeiros-socorros. Seu uniforme tem a camuflagem padrão britânica a famosa Disruptive Pattern Material (DPM) e ele usa uma máscara típica do SAS.

Mas agora esses pensamentos não ajudavam em nada, pensou o Major Crooke, pois ele e seus homens tinham uma missão a cumprir, e não seria honrado guiar seus homens em batalha com tantas dúvidas na mente. "Vamos fazer o que tem que ser feito, pois quem ousa, vence", pensou finalmente o Major Crooke, afastando outros pensamentos de sua mente. A única coisa em sua mente agora era a frase da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher que definia a sua missão: "Devemos destruir os mísseis Exocets, eliminar os aviões Super Étendard e matar os pilotos em Rio Grande de qualquer maneira".

 
O assalto seria no melhor estilo Entebbe qur aconteceu durante a famosa Thunderball realizada por tropas do Sayeret Matkal, pára-quedistas e tropas de infantaria da Brigada Golani, para resgatar reféns israelenses em Uganda.

Tecnicamente seria um pouso de assalto que é chamado de Tactical Air Land Operation ou TALO. No TALO são usados até quatro aeronaves para tomar o alvo. É feito geralmente a noite e precisa de pista de pelo menos 1.500m. O pouso pode ser simultâneo se a pista de pouso tem uma pista taxiamento paralela. A surpresa é obtida com vôo muito baixo, parada rápida e desembarque rápido. A surpresa permite derrotar o inimigo rapidamente. A força é usada para segurar a zona de pouso para que uma força de apoio chegue se necessário. Uma grande vantagem do TALO é que a força de assalto chega agrupada e pronta para ação.

O TALO foi usado na invasão soviética de Praga em 1968, no resgate de Entebe em 1976 pelos israelenses e na invasão de Kabul em 1979 pelos soviéticos. O TALO é uma opção quando o alvo é bem distante para ser alcançado por helicópteros. Os planadores das forças aerotranspostadas da Segunda Guerra Mundial realizavam um pouso de assalto, mas não foram mais usados depois desta guerra.

Ficou estabelecido durante o planejamento da missão que os 55 homens do Esquadrão B (que estava desfalcado da Tropa 6), seriam divididos em três equipes de quinze homens cada: Uma equipe iria para onde estavam os cinco Super Étendard, a fim de inutilizá-los ou destruí-los; Outra equipe faria o mesmo com os três mísseis Exocet AM-39 que permaneciam nos arsenais da Base; Uma terceira equipe iria para o quartel onde dormiam os dez pilotos do 2º Esquadrão de Caça e Ataque da Armada argentina e mataria todos eles. Haveria também uma pequena equipe de Comando e Reserva.

Uma vez terminada a tarefa, os operadores do 22 SAS usariam explosivos para abrir grandes crateras no meio das pistas da base, de maneira a impedir que elas fossem imediatamente usadas por aviões argentinos na perseguição aos Hércules britânicos. Se ainda houvesse tempo, eles deveriam destruir os tanques de combustível JP1 e também os seis caças Dagger e os aviões de reconhecimento marítimo Netuno que também estariam estacionados no aeroporto.

A parte da pista não destruída seria usada pelos Hércules que estariam esperando pelos homens do SAS com os motores ligados. Após todos embarcarem os Hercules tentaria uma decolagem STOL. Então os Hercules voariam para a base aérea chilena de Punta Arenas, diante do estreito de Magalhães. O Chile era um aliado extra-oficial da Grã-Bretanha no conflito, e os Hercules voariam para lá com a desculpa de defeitos técnicos. Se os C-130K fossem destruídos no solo ou não pudesse levar todos os homens, mesmo assim, os que ficassem no solo, membros da força de ataque e das tripulações dos C-130K, tentariam por seus próprios meios chegar até a fronteira do Chile (cerca de 80 km a oeste). Deveriam usar os Land Rovers, qualquer veículo roubado, e até mesmo a pé. As prováveis rotas de fuga seriam através do curso do Rio Silva que cruza a Estância de Sara Braun e também através da Estância de El Salvador. Estas rotas seriam fáceis de seguir e levariam para locais secretos. Mas a fuga e o próprio combate dentro da base não ia ser nada fácil. O responsável pela defesa da base aérea, Capitão de Fragata Miguel Pita, da Infantaria Marinha (Fuzileiros Navais), havia disposto dois Batalhões de Infantaria Marinha para a defesa do local, os BIM1 e BIM2. Os fuzileiros navais argentinos normalmente estavam armados o fuzil FN FAL, de 7.62 mm, alguns com coronha dobrável, usavam um uniforme verde-oliva, capacete M1 americano com cobertura camuflada, seu arnês era americano do modelo M1959, que carregava bolsas de munição, cantil e faca de combate.

O famoso Land Rover na versão para operar no deserto e com a core do modelo Pink Panther. Esse veículo tem pneus de areia, um estepe colocado bem na frente do veículo e não tem portas. Este Land Rover está armado com metralhadoras L7A2 General Purpose Machine Gun (GPMGs) de 7,62 mm e carrega galões de gasolina e mantimentos, tudo acomodado para manter o perfil do veículo o mais baixo possível. Ele ainda possui algumas placas blindadas e pode levar uma tripulação de 3 homens. 

É interessante saber que o Capitão Miguel Angel Pita, era um comandante que conhecia muito bem os métodos do SAS e o SBS. Anos antes ele foi para a Inglaterra e participou de Cursos no SIS (Serviço Secreto de Inteligência, também conhecido como MI6), no sul da Inglaterra. Eu conhecia perfeitamente as
táticas, mentalidade e capacidades do SAS e do SBS, e tinha visto em detalhes como os Harriers operavam. O seu segundo em comando em Rio Grande, Comandante de Navio Alberto González, que tinha sido designado para adido naval em Londres, era um homem de grande imaginação e iniciativa que conheciam muito bem o inglês. Esses dois comandantes formaram uma equipe sólida e bem preparada para enfrentar qualquer ataque britânico.

Pouso
Alguns minutos depois os soldados recebem o sinal de que o desembarque está próximo. Segundo os planejadores o ataque deve durar de 20 a 30 minutos. Eles checam pela enésima vez suas armas e equipamentos e também seus três confiáveis Land Rover Série IIA 90, que estavam sob a responsabilidade da Tropa de Mobilidade do Esquadrão B. Esses lendários veículos, quase um símbolo do SAS estavam armados com metralhadoras GPMGs de 7,62mm ou as pesadas Browning .50. Os Land Rovers também tinham lançadores de granadas de fumaça, tanques de combustível extras, holofotes, bússolas, e carregavam uma variedade de equipamentos e munição extra.

Pilotos argentinos, aeronaves Super Etendard e mísseis Exocet: os alvos da Operação Mikado

Os operadores do 22 SAS levariam várias metralhadoras L7A2 General Purpose Machine Gun (GPMGs) de 7,62 mm, lançadores de foguetes Light Anti-tank Weapons (LAW) L1A1 de 66mm e cargas de explosivos plásticos C4, para as aeronaves Super Étendard e os Exocet. Cada operador estaria armado com um fuzil M-16A1 de 5,56 mm, alguns com lançadores de granadas M203 de 40mm. Quem não estivesse com um M-16 estaria levando uma GPMG. Mas alguns deles estariam com o compacto Colt "Commando" XM177E1 de 5.56mm, que é uma versão curta do M16.

M-16A1 de 5.56mm - Uma das armas mais usadas pelos homens do SAS

O famoso Colt  Commando XM177E1 - Uma versão curta do M16 também usada pelo SAS

M-16A1 de 5.56mm com um lançador de granadas M203 de 40mm

Eles também levaram granadas de fósforo branco e de fragmentação, além de pistolas FN Browning Hi Power de 9mm. Nas mochilas eram levados munição extra, roupas secas e rações para três dias e usavam um arnês padrão britânico modelo 1958, carregando dois cantis, kit de primeiros-socorros e bolsas de munições, além de uma faca de combate. Seus uniformes tinham a camuflagem padrão britânica, a famosa Disruptive Pattern Material (DPM), e eles usariam balaclavas, típicas do SAS.

O Ataque
Minutos depois, os C-130K batem na pista 25 de Rio Grande. As portas traseiras já estão abertas, as rampas abaixadas raspando o chão. Em um instante, os Land Rovers estão arrancando pelo ventre das aeronaves em direção aos caças Super Etendard. Chegando até às aeronaves os operadores do SAS colocam cargas explosivas nas entradas de ar dos aviões.

Enquanto isso outros homens do SAS procuram os pilotos dos Super Etendards, que ao serem encontrados serão sumariamente mortos a tiros em sua caserna. Outro grupo busca os Exocets que, acima de tudo, é a principal ameaça a Grã-Bretanha, abrindo a possibilidade para uma derrota no Atlântico Sul.
Momentos depois, as primeiras explosões acontecem. Tiros são disparados, granadas são detonadas, gritos, fogo e fumaça. O mundo se dissolve em caos...

Mas essa operação nunca aconteceu!

A falta de inteligência no local significava que as forças britânicas não tinham uma idéia clara de como a base de Rio Grande era defendida, nem havia garantias de que os Super Etendards ou os Exocets estivessem lá quando a operação ocorresse. As forças britânicas também não tinham informações sobre como a base estava organizada e não sabiam onde de fato os Exocets estavam armazenados ou mesmo onde estariam os pilotos no momento do ataque.

Você não pode realizar uma operação como essa sem inteligência específica e, principalmente, se o inimigo tiver uma idéia de que você está tentando fazer algo nesse local. O fracasso da Operação Plumb Duff alertou mais ainda as defesas argentinas, e de fato os argentinos tinham uma capacidade de detectar os C-130K bem antes deles chegarem na base e preparar toda as suas defesas antiaéreas e até mesmo bloquear todas as pistas impedindo o pouso das aeronaves britânicas. Além do mais existiam as pressões diplomáticas. Devidos as tratados regionais paises como o Peru e o Equador poderiam se sentir impelidos a ajudar a Argentina diante de ação dos britânicos no continente. Também houve uma reunião do general João Baptista Figueiredo, presidente do Brasil na epoca, em Washington com o presidente dos EUA Ronald Reagan. Dados os muitos problemas que surgiram ou poderiam surgir, foi acionado o alerta de que o Brasil não permitiria um ataque ao continente, o que poderia desencadear uma escalada de tensão nas Américas, onde o Reino Unido em particular, e o mundo em geral, teriam perdido mais do que ganho alguma coisa com a escalada do conflito.
Com o cancelamento da Operação Mikado, o esquadrão B, que estava em Ascensão, foi enviado para as Falklands, para cobrir as baixas do SAS neste conflito.


O AM.39 Exocet

Descrição: Míssil Anti-Navio para ataque à grandes embarcações  

História: Os mísseis Exocet começaram a ser desenvolvidos em 1967, originalmente um míssil lançado por navio, MM.40, que entrou em serviço no ano de 1975. A versão lançada por ar AM.39, foi desenvolvido depois no ano de 1974

Aspectos: O Exocet possui quatro pequenas asas no meio do corpo e mais quatro na parte de trás. Até metade do curso, o míssil é guiado inercialmente, seguido pelo radar ativo na fase terminal. Possui também um altímetro para controlar sua trajetória baixíssima sobre o mar, voando à 3 metros de altitude quando o mar está calmo. Seu alcance é de 50km, mas lançado do ar, pode chegar até 70km.

Características Gerais:

Função Primária: Míssil anti-navio lançado por ar ou por navio

Construtor: Aerospatiale

Motor: 1 foguete de combustível sólido para o lançamento (2s ligado) e um motor com combustível sólido com base em Hélio

Peso: 652 kg

Comprimento: 4.7m

Diâmetro: 35 cm

Velocidade: Mach 0.93

Alcance: por volta de 65 km

Orientação: Radar ativo

 


 

Super Etendard - Ficha Técnica

 

 

Nome

Super Etendard

Tipo

Caça-bombardeiro polivalente

Fabricante

Dassault

Autonomia

850 km (com 1 Exocet e 2 drop tanks)

Velocidade Máx.

1.180 km/h

Altitude Operac.

13.700m

Motor(es)

1 Atar 8K-50 com 5.110Kg de empuxo

Envergadura

9,60m

Altura

3,85m

Comprimento

14,30m

Peso Máx.

11.500 kg

Armamento

2 DEFA 553 de 30mm

Mísseis Exocet AM.39, Martin Pescador e Magic ou combinação de até 2.100kg de carga bélica


 

 

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