Perfil da Unidade

SPECIAL AIR SERVICE - SAS

OPERAÇÕES

Barras - Serra Leoa - 2000


Operador do SAS nas Falklands, armado com um Colt Commando.

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Os soldados britânicos estavam em Serra Leoa para ajudar as forças de paz da ONU para manter a ordem no país durante a década de 1990, afetada pela guerra civil. Antes de sua independência Serra Leoa era protetorado britânico desde 1896.

Porém o acordo de paz assinado entre o governo e os rebeldes em julho de 1999 entra em colapso em maio de 2000. A Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa (FRU) retoma os combates e seqüestra 500 integrantes da força de paz da ONU que monitoravam as áreas produtoras de diamantes em seu poder. Em Freetown, 10 mil manifestantes cercam a casa do líder rebelde Foday Sankoh, pedindo a libertação dos reféns. Guarda-costas do líder da FRU abrem fogo contra a multidão, matando cerca de 20 pessoas. A ONU decide ampliar para 13 mil o número de soldados em Serra Leoa, tornando a Unamsil sua maior força de paz em atividade no mundo naquele momento. Para deter o avanço de tropas da FRU em direção à capital, o governo britânico envia 700 pára-quedistas e uma força naval, com 800 royal marines à Serra Leoa. Inicialmente, o objetivo seria apenas garantir a retirada de cidadãos da União Européia e da Comunidade Britânica. Mas essas forças se envolvem na defesa de Freetown e no treinamento das forças armadas de Serra Leoa. Até aquele instante essa foi a maior intervenção militar unilateral empreendida pelo Reino Unido desde a Guerra das Falklands.

Seqüestro

No dia 25 de agosto de 2000 soldados do Regimento britânico Royal Irish saíram em missão de patrulha além dos limites da capital. Na verdade os britânicos tinham as únicas tropas da força de paz que se aventuravam além dos limites de Freetown. A patrulha transportada em três Land Rovers armados era formada por onze soldados britânicos e um Corporal do Exército de Serra Leoa, Mousa Bangura, que servia como interprete e guia, se desviou de sua rota normal e entrou em território hostil. Segundo informações a patrulha estava retornando de uma reunião com forças Jordanianas da ONU, mas segundo outras fontes eles não estavam na estrada em sim selva a dentro e não tinham se encontrado com os jordanianos. A missão dos Royal Irish em Serra Leoa era treinar e dar assessoria às tropas do governo serra-leonês, para que estas tivessem condições de  enfrentar as guerrilhas opostas ao regime, principalmente as forças da Frente Revolucionária Unida (FRU).

Soldados britânicos em um Land Rover em Serra Leoa.  

Um Land Rover com tropas do Royal Irish Regiment.

A área em que a patrulha entrou pertencia à temida gangue West Side Boys. Muitos dos membros eram soldados desertores do Exército de Serra Leoa. Mesmo as mulheres e as crianças que estavam no grupo tinha tido grande participação nos massacres e combates em Serra Leoa.

O bando de rebeldes era liderado por Foday Kallay, de 24 anos, também um militar renegado,  de 24 anos, que se apresentaria nas negociações para a libertação dos britânicos como "general-de-brigada", mas, até que o país mergulhasse no banho de sangue, ele era apenas sargento e servia como porteiro do Ministério da Defesa. O Corporal Mousa Bangura, compreendeu imediatamente que eles poderiam ficar em apuros com os West Side Boys e tentou salientar isto com o líder da patrulha, o oficial britânico, o major Alan Marshall. Mas então já era tarde demais.

Um grupo de aproximadamente cinqüenta West Side Boys haviam cercado a patrulha e formaram uma barricada que impediu os britânicos de avançarem ou recuarem. O Major Marshall tentou conversar com os rebeldes, mas eles não desistiram de bloqueio. Eles exigiram as armas britânicas, e vendo Marshall que seus homens estavam em minoria e vendo a possibilidade de uma massacre, ordenou a entrega das armas. O comandante rebelde no local decidiu levar os britânicos, agora desarmados, como prisioneiros. Quando ele inspecionou o veículo, ele reconheceu Bangura, pois tinham servido juntos no exército. Ele foi imediatamente espancando, ato covarde que continuou ao longo do cativeiro. Os rebeldes disseram que soldados britânicos foram feitos reféns porque entraram no território dos West Side Boys a procura de um empresário de Serra Leoa que tinha conexões com interesses britânicos. O empresário foi seqüestrado há um mês e, desde então, não se tinha notícias dele. 

Os soldados britânicos e Bangura foram levados para o quartel-general dos rebeldes em Occra Hills, nos arredores da capital, Freetown. Dois dias depois, foram enviados negociadores da Grã-Bretanha para Serra Leoa para tentar resolver a situação diplomaticamente. Os soldados britânicos foram expostos a um jogo de tortura psicológica bastante cruel, onde eram realizadas execuções falsas, uma das quais chegou bem perto de se tornar verdadeira, mas o líder rebelde Foday Kállay bebeu tanto na ocasião que a ordem não foi dada. Ao mesmo tempo, Bangura que foi separado dos britânicos, era submetido a espancamentos e foi colocado em um buraco onde os rebeldes urinavam e defecavam, pois ele era visto como um traidor. Quando as negociações ficaram paralisadas, o Governo da Grã-Bretanha teve de decidir se realizaria uma missão de resgate ou não.

O inimigo

Os West Side Boys, com seu estapafúrdio nome de banda de rock, eram os típicos combatentes de uma guerra cujas atrocidades conseguiam ser mais chocantes que qualquer outra das barbaridades em curso na África. As tropas eram formadas por ex-militares, adolescentes e crianças movidos a drogas cujo mais abominável hábito era cortar as mãos de civis escolhidos a esmo, inclusive mulheres e crianças. O pessoal do WSB ouviam muita música rap e a sua dieta diária era formada por muita bebida e drogas (heroína, cocaína, crack, etc.), inclusive uma canja feita com maconha. Os rebeldes rebeldes usavam roupas em tons rosa, toucas de banho, perucas fluorescentes e ostentavam encantos vodu. Eles acreditavam que esses encantos os faziam invulneráveis as balas - uma impressão reforçada pelo uso pesado das drogas.

OS rebeldes controlavam duas vilas em  Rockel Creek. A vila de Magbeni, de um lado do riacho, e do outro lado, distante umas 100 jardas, estava a vila de Gberi Bana, onde os militares britânicos do Royal Irish Regiment estavam mantidos como reféns.

O 22 SAS em Serra Leoa

Equipes do Esquadrão D do 22 SAS foram enviadas para para Serra Leoa bem antes da crise com os reféns, sua missão era dar suporte as forças britânicas destacadas para aquele país. Sua tarefa a priori era realizar reconhecimento avançado nas regiões controladas pelos rebeldes. Mas quando houve o seqüestro a missão do SAS em Serra Leoa mudou. 

Operadores do SAS desembarcam em Serra Leoa

Homens da Tropa de Barco do Esquadrão D do 22 SAS, usaram botes infláveis, e com a cobertura da noite infiltraram equipes de observação perto do local onde estavam os reféns. Essas equipes conhecidas pelos nomes de Sierra Green Alpha (SGA - seis operadores), na aldeia de Gberi Bana, e Sierra Green Bravo (SGB - quatro operadores), na aldeia de Magbeni, buscaram se posicionar o mais próximo possível das posições inimigas, cobrindo todos os ângulos. Depois de escondidos em meio a folhagem da selva, eles começaram a monitorar o movimento inimigo, ouvindo as conversas dos rebeldes através de microfones parabólicos. 

As equipes de informações passaram muitas informações importantes. Elas informaram que ambos os campos onde estavam os reféns e a base principal dos rebeldes eram cercados por vegetação densa, o descartava a possibilidade de inserção por terra. Um assalto usando embarcações anfíbias também não seria possível pois existiam bancos de areia no rio que tornavam essa opção fora de cogitação.

As equipes de observação também informaram que os West Side Boys eram cerca de 50 a 100 em cada aldeia e estavam fortemente armados inclusive com as metralhadoras gêmeas ZPU-2 de 14.5 milímetros que haviam sido usadas para bloquear as patrulha dos Royal Irish. Os rebeldes contavam também como morteiros de 60mm e 81mm, lança-rojões RPG-7, fuzis automáticos AK-47, metralhadoras médias, minas anti-pessoal e granadas. Em Magbeni, os rebeldes também contavam com camionetas que tinham metralhadoras montadas nas mesmas, além de terem os três Land Rovers capturados o que dava aos rebeldes um boa mobilidade. O pessoal militar britânico acreditava que os morteiros e as metralhadoras instaladas na parte sul da aldeia de Magbeni podiam tingir alvos em Gberi Bana através de Rokel Creek.

Equipe das forças especiais com seus botes infláveis no Riacho Rokel. Seus rostos estão desfocados

A SGA também informou que em Gberi Bana havia além do local onde estavam presos os soldados britânicos ou estrutura onde cerca de 22 civis de Serra Leoa eram mantidos como reféns, na aldeia também estava a casa de Kallay e de seus comandantes. A SGA estava escondida nos pântanos a cerca de menos de 250m de Gberi de Bana. No entanto, no lado sul do riacho era escassa a cobertura em torno de Magbeni, o que restringiu as operações da SGB. Para ambas as equipes seria um teste de resistência e caráter poder sobreviver com as rações e água que eles trouxeram, tendo de suportar os ataques de insetos diversos
que viviam em torno do rio, além do forte cheiro dos resíduos humanos líquidos e sólidos. Os resíduos dos homens do SAS tinham que ser coletados em sacos plásticos e guardados para impedir a descoberta das equipes. 

Os soldados Royal irlandeses tinham inicialmente sido levados para um edifício identificado como Casa do Coronel Camboja, mas foram transferidos na sexta-feira dia 1º de setembro para a casa do comandante de campo. Aqui eles passarm muito de seu tempo sob guarda de uma sala de 13m x 2,4 m em um chão de cimento. Essa era a casa do chefe da antiga vila antiga. O edifício, foi apelidado de "A Casa Branca" pelos planejadores britânicos, e deve ter sido muito elegante, com uma varanda com pilares e telhado inclinado íngreme. Agora suas condições eram deploráveis, com um telhado de zinco enferrujado. Lá dentro havia esteiras e cobertores para a cama dos soldados. Guardas armados vigiavam pela porta e janela e a equipe de observação dos SAS tinha identificado uma metralhadora soviética Dshl de 12,72 mm dando cobertura ao edifício. O banheiro era apenas um buraco no chão em uma cabana de metal que era compartilhado pelos cativos e milicianos. Eles só tomaram banho uma vez e sua comida era uma mistura de enlatados e rações britânicas, enviados pelos negociadores e alimentos locais. Os soldados britânicos foram empurrados e ameaçados, mas não espancados. Em contraste, Bangura tinha sido duramente espancado e colcoado em um poço que funcionava como lantrina para os rebeldes.

O plano de resgate

A equipe de planejamento da Operação Barras era formada pelo Grupo do QG do SAS baseado em Regents Park Barracks (Londres), ele era conhecido apenas como "O Grupo". Essa equipe tinha um desafio pela frente. Como um assalto por terra estava descartado devido a densa vegetação e um assalto anfíbio também por causa dos bancos de areia, restou a opção de um assalto helitransportado, usando os grandes helicópteros Chinooks (nada silenciosos) apoiados por helicópteros menores. Com a informação de que havia centenas de rebeldes dos West Side Boys estacionados na aldeia de Magbeni, decidiu-se que uma operação furtiva usando apenas as tropas do SAS também estava descartada, por isso se decidiu usar a Cia A do 1º Batalhão PARA, para reforçar as forças especiais, além de elementos da Cia de Apoio e QG da Cia para tomar a base principal dos rebeldes.

O fuzil automático padrão das tropas britânicas é o L85A1 - 5.56x45mm NATO

Por isso os britânicos começaram a planejar a operação de resgate. Enquanto as equipes de assalto ensaiavam seus planos, as equipes observação enviavam inteligência sobre o armamento inimigo, disposição das forças rebeldes e o moral das forças inimigas, através de comunicação via satélite. Como era impossível uma ação furtiva, o plano era bater o acampamento de reféns e a base rebelde com a máxima velocidade e poder de fogo possível, esperando pegar os West Side Boys desprevenidos e com isso ganhar o máximo de tempo para resgatar os reféns e eliminar o máximo de inimigos.

Negociações

Tropas britânicas entram em um Chinnok em Serra Leoa.  

As tropas do Regimento de Pára-quedistas e do SAS usaram o Chinook da RAF para seus deslocamentos em Serra Leoa,  durante a Operação Barra.

Quando foi negociar com os britânicos em 29 de agosto, Foday Kallay estava rodeado de guardas costas fortemente armados em roupas de camuflagem e camisetas. Um guarda trazia um lançador de granada impelido por foguete atravessado no peito e tinha uma granada presa a uma faixa preta que lhe circundava a cabeça. Outros bebiam cerveja de lata. Seus guarda-costas formavam um paredão ameaçador atrás dele. Kallay havia mantido um capitão britânico diante dele para servir de escudo humano, ao chegar para as primeiras negociações.

No dia 30 de agosto o clima ficou menos tenso quando nas negociações com o Tenente-Coronel Simon Fordham, oficial comandante do Royal Irish Regiment e um general jordaniano, Kally, libertou 5 militares britânicos, em troca de um telefone por satélite, drogas, remédios e bebidas alcoólicas. Dar as bebidas foi uma tática deliberada dos britânicos, a fim de prejudicar a capacidade dos rebeldes para lutar caso houvesse uma missão de resgate.

Mas Kally em outras negociações começou a ameaçar, dizendo que se ouvisse o barulho de um único helicóptero, mataria todos os reféns. Os negociadores britânicos (dois deles do SAS), sentados do lado oposto, concordaram calmamente, garantindo a Kallay que nada seria feito e que ele era um homem respeitado e um comandante importante. Porém nas negociações posteriores o estado de humor de Kallay mudou drasticamente. 

Em uma explosão de raiva, ele se queixou dos ataques britânicos às suas posições, em uma referência à Operação Trovoada, o bombardeio das bases dos West Side Boys pela Missão de Auxílio da ONU em Serra Leoa (Unamsil): "Posso garantir-lhe que o governo britânico não teve nenhum envolvimento na Operação Trovoada", disse um negociador britânico. Kallay, então, apresentou uma lista de exigências para libertar os outros soldados, elas variaram desde a instalação de um novo governo no país ao pagamento de anuidades para seus homens cursarem uma universidade britânica. "Resolva meus problemas e devolverei essas pessoas em 24 horas."  Ele também exigia remédios e alimentos constantemente. Paralelamente, outro líder dos West Side Boys, o Coronel Camboja, que servia como um porta-voz dos rebeldes exigia uma revisão do acordo de paz, a reintegração do grupo rebelde no exército, e a libertação de seu líder, General Papa, da prisão.

Em uma outra sessão de negociação, Kallay tinham pedido a libertação de quatro de seus comandantes, detidos em uma prisão de Freetown. Ao falar sobre a captura dos soldados britânicos, Kallay negou que tivesse saído determinado a seqüestrá-los. "Eu estava na minha base, não na estrada", disse. "Eles é que se meteram com meus homens. Não fui atrás deles." Mas enquanto as negociações ocorriam um plano de resgate estava sendo montado. A missão dos negociadores era de apenas ganhar tempo para as tropas de resgate acertassem todos os detalhes.  

Preparativos

 

As tropas do SAS usavam o mesmo uniforme dos pára-quedistas, inclusive seus capacetes, porém não usavam o SA80 e sim o fuzil automático Diemaco C7A1, alguns com o lançador de granadas M203 de 40mm.

A base rebelde ficava numa área de manguezais e densa floresta em Occra Hills, a cerca de 70 quilômetros da capital, Freetown. Os britânicos temiam pela vida dos reféns, já que os membros da West Side Boys se envolviam em bebedeiras, consumiam drogas e normalmente cometiam atrocidades.Durante duas semanas os britânicos treinaram para o resgate. Neste período os Postos de Observação do SAS constantemente enviavam informações. No meio da selva as equipes de reconhecimento dependiam em grande medida, de seus olhos, ouvidos e até mesmo o seu olfato para coletar inteligência. Em alguns casos, os homens se infiltraram até a borda das aldeias nadando pelas águas barrentas do Rokel Creek.

Forças britânicas envolvidas a operação

- Companhia A do 1º PARA - 130 homens
-
Esquadrão D do 22 SAS - 40 homens
- Pessoal do QG das Forças Especiais
- Field Surgical Team do 16 Close Support Medical Regiment RAMC
- Patrulha do Royal Irish - inicialmente 11 homens, com apenas seis no momento da Operação Barras
- Navio RFA Sir Percivale
- Navio RFA Argus
- Navio HMS Argyll com seus helicópteros Lynx
- 7 Squadron Joint Special Forces Aviation Wing - Três
helicópteros CH47 Chinook
- 657 Squadron Army Air Corps - Dois
helicópteros Westland Lynx
- Mi-24 gunship (emprestado do Exército de Serra Leoa) como suporte aéreo
- Tactical Communications Wing RAF - 3 homens

No dia 5 de setembro 130 pára-quedistas britânicos do 1º PARA chegaram a Serra Leoa, vindos do Senegal, para participar da Operação Barras. Eles não chegaram todos juntos para não chamar a atenção. Esse seria uma operação conjunta entre tropas dos PARAS, RAF, mas liderada pelo SAS. Ao total 272 homens participariam da missão: 40 homens do Esquadrão D do SAS, 110 do 1º Para, além do pessoal da RAF. A Força Aérea usaria helicópteros Chinook e Lynx que foram desdobrados para um aeródromo pequeno na aldeia de Hastings, a aproximadamente 48km de Freetown. Dois helicópteros Lynx foram transportados por um Hercules C130 para Dakar e depois para o Aeroporto de Lungi. Os dois Lynx e os helicópteros Chinook da RAF que já estavam em Sera Leoa também foram enviados depois para Hastings.

A aldeia de Hastings seria também a base provisória dos pára-quedistas e do homens do SAS. Muitos dos operadores do Esquadrão D do 22 SAS tinham amigos no 1º PARA, pois eram do Regimento Pára-quedistas antes de serem aprovados na seleção do 22 SAS. Muitos os homens do SAS tinham barbas crescidas e usavam chapéus camuflado. Oficialmente a operação era chamada de Barras, mas era conhecida pelos homens em terra como Operação Morte Certa.

A surpresa era essencial. Temendo que o som dos helicópteros alertassem os rebeldes o assalto foi programado para as primeiras horas do dia com luz, quando o inimigo estaria em seu menor estado de alerta.

Duas possíveis zonas de desembarque (LZ) foram identificadas para a Cia A do 1º PARA. Uma delas, no extremo leste da cidade, medindo cerca de 100m x 80m, era um descampado usado como campo de futebol campo próximo do ponto da balsa. Como ponto de referência para a navegação dos pilotos a cerca de 200m a sul-oeste existiam três grandes árvores que se projetavam da selva. Essa área designada LZ1.

Se o Paras desembarcassem em LZ1 teriam a vantagem de uma ação de choque, uma vez que pousariam quase em cima da aldeia, mas eles seriam expostos ao fogo direto dos WSB. Se sua missão fosse destruir os West Side Boys este ponto era ideal para colocar os pára-quedistas em posição de encurralar o inimigo em um beco sem saída na vila. No entanto, eles iriam precisar de dois Chinook para desembarcar a Companhia A para ser usada no ataque.

A LZ2 ficava a sudoeste de Magbeni parecia ser uma área gramada com uma faixa de selva entre ela e a vila. O reconhecimento feito pela equipe SGB, mostrou que era pantanoso, mas foi considerada viável. O que garantiu a escolha da LZ2 foi era possível se usar apenas um Chinook para inserir uma leva da tropas. Uma vez que estes homens estivessem no chão o helicóptero irá voltar a base e trazer mais pára-quedistas para permitir a seqüência no ataque iniciado a partir de LZ2.

Os ensaios para o resgate realizados em no calor tropical confirmaram que os Paras precisariam lutar carregando o equipamento mínimo - munição, água e kit de primeiros-socorros. Os soldados usariam capacetes e os coletes balísticos chamados de combat body armour (CBA) - embora o peso os fizesse suar e, conseqüentemente, aumentar a desidratação, foi reconhecido que o preço valeu a pena, ainda mais quando esperava-se o ataque poderia acontecer na madrugada. Antes da operação, houve um debate considerável sobre o peso do equipamento e do armamento que cada homem iria carregar, pois temia-se que os homens poderiam se tornar vítimas do calor, particularmente aqueles que transportariam os rádios e armas como a GPMG ou as partes do morteiros de 81mm. Os artilheiros das GPMG provavelmente teriam 600 balas em seu cinturão de munições e seus nº 2 levariam mais 200 junto com seus rifles e carregadores. O colete CBA daria proteção contra fragmentos 1.10g viajando a 445 m/s e tiros de rifle em intervalos mais longos. Na luta que se seguiria, a decisão seria mais do que justificada.

Operadores do SAS em Serra Leoa.

Homens do SAS em Serra Leoa.  

Dois operadores do SAS são vistos em Serra Leoa realizando uma missão de reconhecimento. Eles estão armados com um M16A2 e uma FN Mini. Seus uniformes são do tipo padrão das forças britânicas.

Os homens do Esquadrão D iriam transportar mais equipamento, já que havia uma chance de que eles estariam em ação Gberi Bana por algumas horas. Na suas mochilas haviam provisões para 24horas como pacotes de ração, munições, explosivos plásticos e óculos de visão noturna, para o caso do ataque se iniciar antes das primeiras luzes do dia. O pessoal do SAS estariam usando o mesmo uniforme dos pára-quedistas, inclusive seus capacetes, mas estariam armados com fuzis automáticos Diemaco C7A1, alguns com lançadores de granada M203 de 40mm.

Um ponto crítico da operação caberia aos três membros da Tactical Communications Wing RAF, que se encarregariam de coordenar as operações dos helicópteros de ataque e os Chinooks que operariam em condições limites de iluminação em um espaço aéreo congestionado.

O Resgate

As ações cronometradas são essenciais para o sucesso em qualquer operação militar e, na Operação Barras isso significava a diferença entre o sucesso e a catástrofe, pois durante as negociações com o Tenente-Coronel Fordham, Kállay repetidamente ameaçou matar os reféns se ouvisse o som de helicópteros na selva.

No dia 10 de setembro às 6:16 da manhã três helicópteros Chinook, dois Lynx Westland artilhados e um Mi-24 decolaram em direção as posições rebeldes. Às 6:40 começou o assalto com os dois Lynx e o Mi-24 atacando os rebeldes no riacho.

Os West Side Boys foram tomados de choque e espanto diante dos desembarques helitransportados, apoiados pelos helicópteros armados. Muitos dos rebeldes estavam de ressaca e dormiam, quando a força de assalto de repente apareceu sobre seu acampamento. A força das hélices dos Chinooks arrancou muitos dos telhados de zinco dos casebres que compunham o acampamento. Para aumentar a confusão, as equipes de observação do SAS emergiram de seu esconderijo na floresta próxima e começaram a engajar o inimigo. Com todo barulho e confusão os soldados do SAS no Chinook começaram a a desembarcar indo para o chão através de grossas cordas.
 
Os rebeldes em Gberi Bana tentavam atirar contra a aeronave, inclusive com lança-rojões RPG-7, mas a mira não era facilitada por tantos destroços, folhas e poeira voando para todo os lados. Mas um dos West Side Boys chegou a atingir um Chinook com um rojão, mas felizmente sem graves conseqüências. Na verdade momentos antes dos West Side Boys começarem a atirar no helicóptero do SAS, a equipe de observação, agora a apenas 55m de Gberi Bana, abriu fogo sobre os homens perto da Casa Branca, impedindo-os de matar os reféns.
 
O pessoal dos postos de observação passaram de suas funções de observação e coleta de informações, de forma a mais absolutamente furtiva, para abertamente "desencorajar qualquer interferência" inimiga até que a força principal de resgate chegasse.

Quando  os Chinooks começaram a sua aproximação final os pilotos dispararam uma saraivada de flares. Embora estes sistemas são projetados para "enganar" mísseis terra-ar guiados pelo calor como o SA7, que é disparado do ombro, aqui esse sistema de defesa dos Chinooks tinha outra função. Embora havia uma possibilidade remota de que mísseis SA7 pudessem ter chegado aos West Side Boys, o principal efeito das chamas foi o de confundir e assustar os homens em terra. Sob a cobertura de todo esse som e fúria, a equipe de resgate do SAS foi capaz de encontrar e assegurar os sete reféns. O SAS foi também a procura de Musa Bangura que foi encontrado em condições deploráveis e teve de ser carregado devido a fome e os espancamentos. Ele sobreviveu a tudo isso e se recuperou de todos os maus tratos.

Homens do Esquadrão D do 22 SAS usam a técnica do fast roper para atacar Gberi Bana. A essência da operação era a velocidade.

As equipes de fogo do SAS passaram para seus objetivos, uma ação cuidadosamente planejada e ensaiada, buscando limpar edifícios e posições defensivas. Essas equipes atacaram com fúria a cabana onde estava Kállay, apenas duas pessoas escaparam com vida ali, e o líder rebelde foi encontrado mais tarde escondido debaixo da cama e de corpos. Sua esposa, considerada uma mulher cruel pelos reféns nativos, foi morta na ação.

Em 20 minutos, os reféns tinham sido libertados, e foram imediatamente embarcados no Chinook S10. Em Freetown oficiais no QG da Força Tarefa Conjunta  da Operação Barras podiam ouvir o barulho dos tiros no rádio, além de receberem informações dos combates. Eram 07:00 da manhã. 

Chegando em Freetown os reféns britânicos se juntaram aos seus outros cinco companheiros da patrulha, telefonaram para casa e depois foram enviados para o Sir Percival onde passaram por uma série de exames médicos.

Os Paras

 

O fluxo de fogo vindo dos helicópteros foi de grande importância para as tropas em terra.

Enquanto os Royal Irish estavam sendo resgatados pelo pessoal do SAS, do outro lado das águas barrentas do Rokel Creek, na LZ2 na Magbeni, o primeiro dos dois Chinooks, lotado, inseriu dois pelotões e QG da Companhia A do 1 Para. É importante destacar que os reféns foram imediatamente resgatados pelo pessoal do SAS e levados para o terceiro Chinook. Cerca de 20 minutos após começar a operação, eles já estavam a caminho do RFA LSL Sir Percival que estava ancorado perto de Freetown. 

Embora eles soubessem que a sua LZ seria pantanosa, mesmo assim foi uma grande surpresa quando os primeiros dois soldados saltaram da rampa traseira do helicóptero e afundaram no pântano até o peito. 

As fotos aéreas mostravam que a área era viável ao desembarque e infelizmente a equipe de reconhecimento do SAS, mesmo tendo visto a água brilhando através da grama, não conseguiu chegar mais perto para verificar as reais condições do terreno e sua profundidade.

Agora, o que deveria ter sido um simples avanço em terreno molhado, se tornou uma corrida desesperada, com armas erguidas, através de pântano, na direção a linha de  árvores distante cerca de 100 a 150m.
 
Este foi um momento em que as lideranças das pequenas seções, se fez presente, onde os cabos gritavam incentivos aos seus homens, enquanto o fogo inimigo era disparado da aldeia.
 
Os pára-quedistas que tinham passado pelo pântano estavam molhados e lameados e grama e juncos tinham obstruído as fitas de munição das GPMG. O que os britânicos mais temiam era um contra-ataque inimigo, com morteiros, fuzis e metralhadoras, enquanto a maior parte da tropas estivesse no pântano.
 
Mas os helicópteros Lynx Mk 7 do Exército britânico e um helicóptero Mil Mi-24 Hind D, do Exército de Serra Leoa, pilotado por Neall Ellis, um contratado piloto sul-africano, atacaram a aldeia com foguetes e tiros de canhão. 

Os Chinook também usavam as suas metralhadoras para darem proteção as tropas em terra. Para o homens no terreno o fluxo de fogo vindo dos helicópteros foi reconfortante quando tiveram que avançar contra a aldeia.

A Cia A dos 1º PARA começou a varrer a aldeia de  Magbeni do oeste para leste. 
Com a primeira onda de pára-quedistas inserida, o terceiro Chinook voou rapidamente de volta à base para pegar a segunda leva.

Os pára-quedistas britânicos travavam um duro combate com os rebeldes que mal estavam acordados. Um tiroteio pesado irrompeu do seu lado do riacho. Os Paras instalaram seus morteiros e começaram a martelar as posições rebeldes. A primeira onda de Paras acabou sendo reforçada pela segunda onde, que chegou com o Chinook que retornava de Freetown. 

Agora com força total, os Paras continuaram com o ataque. A luta foi dura, visto que os West Side Boys não eram ingênuos. Apesar da falta de disciplina ou qualquer senso real de táticas, eles pareciam estar completamente determinados a repelir os atacantes.

A maioria estava sob o efeito das drogas e acreditavam que amuletos mágicos os protegeriam das balas. Seja qual for o motivo, os homens, mulheres e meninos soldados dos West Side Boys lutaram muito e, aparentemente, sem medo de serem mortos.

Os combates que os pára-quedistas do 1ª PARA travaram em Magbeni foram violentos e mortíferos para os WSB.
 

Conclusão

As 08:00 a aldeia de Magbeni estava conquistada, mas a batalha durou mais ou menos de duas a três horas até a área ser considerada suficientemente segura para chamar os helicópteros Chinook para extrair as equipes de assalto. Essa demora ocorreu porque o objetivo secundário das forças britânicas era recuperar os Land Rovers (WMIKs) que ainda estavam em poder dos rebeldes. Apesar de alguns buracos de bala na lataria e uns pneus furados os veículos britânicos ainda podiam ser usados. Eles foram levados para a LZ1 e içados por um Chinook às 11:00h.

Os Land Rovers foram levados para a LZ1 e içados por um Chinook às 11:00h.

Os pára-quedistas também procuraram destruir os veículos dos rebeldes, o Bedford com a metralhadora ZPU-2 também foi destruído. Gasolinas e granadas também foram usadas para destruir as edificações dos WSB. Também foram capturadas muitas armas. E todos os rebeldes vivos foram algemados, com algemas plásticas e deitados de bruços no chão ao lado de seus companheiros mortos. Depois eles foram embarcados nos Chinooks. Os prisioneiros depois foram entregues as forças jordanianas da ONU e depois para a polícia local. Toda a força de resgate se retirou por volta das 14:00. 

Os rebeldes dos WSB depois de feitos prisioneiros foram algemados e deitados de bruços enquanto eram interrogados

Algo a se destacar foi que a mídia britânica silenciou sobre o resgate de 22 civis de Serra Leoa que estavam presos por semanas ou mesmo meses. Ao serem encontrados pelos soldados britânicos eles gritaram "reféns civis, não atirem". Mesmo assim foram amarrados e deitados de bruços até que suas identidades fosse confirmadas. Cinco deles eram do sexo feminino que eram forçados a se tornarem cozinheiras, combatentes femininas ou coagidas a terem relações sexuais com os rebeldes. Os homens tinham sido usados como para o trabalho forçado ou forçados a uma forma cruel de treinamento militar. As mulheres eram mantidas em Magbeni. Se a operação Barras não tinha tivesse sido lançada, as combatentes do sexo feminino e os prisioneiros do sexo masculino provavelmente teriam sido assassinados quando eles não fossem mais úteis, ou morreriam de doença. Se as negociações tiveram êxito e os soldados britânicos tivessem sido libertados se a necessidade de uma missão de resgate, ou se o resgate tivesse sido feito de forma furtivo usando-se apenas forças especiais secretas, os reféns africanos certamente teriam morrido. O resgate dos britânicos sobre esses termos poderia ter sido um êxito tático, mas teria se tornado uma rendição estratégica para as forças da anarquia.

Ele veio falar comigo em voz baixa. Ele apontou para as asas de seu uniforme e O Major Marshall de uma grande contribuição para manter os reféns civis vivos. Ele se aproximou de um deles e disse em vox baixa, que em breve, ele não sabia quando, os helicópteros britânicos chegariam para resgatá-los e os civis deviam se manter dentro da cabana, infelizmente um deles, o estudante Braima Phohba, entrou em pânico e saiu da cabana durante os combates e foi morto.

As fotos acima mostram os pára-quedistas britânicos realizando buscas no reduto dos WSB após o fim dos combates

O SAS perdeu um homem, Brad Tinnion, morto por um tiro de 7.62mm, tragicamente, a Operação Barras foi a primeira missão operacional de Brad Tinnioncom o SAS. Os Paras tiveram 12 feridos, um seriamente. Pelo menos 25 rebeldes foram confirmados mortos (entre eles 3 mulheres), embora o número possa ser muito maior, pois muitos podem ter sido mortos pelos ataques dos helicópteros artilhados ao longo da linhas de árvores. Foram presos 18 captores (incluindo 3 mulheres). O líder dos West Side Boys, Foday Kallay, foi capturado também durante o ataque. Ele foi um dos poucos rebeldes que abandonaram o combate. Kállay foi mais tarde condenado por seqüestro a 50 anos de prisão. Como grande parte dos membros do West Side Boys foi morta ou ferida durante o resgate, isto fez com que o grupo se dispersasse, até 22 de Setembro, um total de 371 desmoralizado West Side Boys, incluindo 57 crianças-soldados, tinham sido desarmados. Este foi um fator que contribui para o conflito em Serra Leoa ser resolvido.

Algumas das armas capturadas aos WSB pelos britânicos

Os pára-quedistas algum tempo depois embarcaram em um C-130 para Dakar e de lá voaram em um Tristar da RAF em direção ao Reino Unido onde chagaram no dia 11 de setembro. Na manhã da segunda-feira todos o pessoal do Esquadrão D do SAS e do QG das forças especiais também tinham saído de Serra Leoa.

Depois de passada toda a agitação do resgate foi revelado que o a entregar do telefone por satélite era um elemento vital da missão de resgate. Não somente ajudou a localizar os reféns, pois usava um dispositivo de localização, como permitiu também que as forças armadas britânicas entrassem em contato com eles antes que o salvamento fosse feito, através de uma mensagem codificada, que informava que uma operação estava a ponto de ser lançada. O primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que a operação foi totalmente bem-sucedida e elogiou a habilidade e profissionalismo das Forças Armadas britânicas, dizendo que elas são "as melhores do mundo". 

A Operação Barras foi um sucesso retumbante. Foi a primeira vez que os Paras haviam sido implantados ao lado das Forças Especiais do Reino Unido. Este modelo de missão, com os Paras provendo segurança operacional, realizando ataques secundários em apoio as forças das UKSF tornou-se um padrão na atual guerra contra o terrorismo e seu sucesso em Serra Leoa foi sem dúvida uma das razões para a criação do SFSG.

 


 

 

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